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Etiologia das fissuras labiais e/ou palatinas não sindrômicas

Dr. Renato Assis Machado

A fissura labial e/ou palatina não sindrômica (FL/PNS) é a má formação orofacial mais comum e atinge 1:500-2.500 indivíduos nascidos. Possui etiologia complexa e está relacionada a fatores de risco ambientais e genéticos.

Nos últimos anos, houve uma evolução no entendimento dos fatores de risco ambientais e como eles interagem com a genética e, nos fatores causais, com a identificação de novas variantes genéticas. Esse conhecimento deve contribuir para o aumento da prevenção, tratamento e prognóstico para os indivíduos afetados [5,16,10].

Estudos com abordagens diferenciadas foram realizados com o objetivo de identificar os genes envolvidos na etiologia das FL/PNS. Parte dos genes candidatos foi sugerida através de estudos com modelos experimentais em:

  • Camundongos knockout [9];
  • Citogenética [4,8];
  • Estudos de fissura oral associada a síndromes mendelianas [11,23];
  • Análise da expressão gênica em tecidos embrionários [6,19].

As abordagens mais recentes são baseadas em estudos de associação genômica ampla (do inglês Genome-wide association study, GWAS), em que os polimorfismos distribuídos pelo genoma são analisados ​​simultaneamente em pacientes afetados ou não pelas FL/PNS. Seis GWAS [1,3,7,12,15,21] e uma meta-análise de dois desses GWAS [14] foram realizados com amostras de FL/PNS, identificando 15 regiões de risco genético.

Em 2017, foi publicado um novo GWAS com uma grande população chinesa e um grupo de validação com amostras de pacientes de populações europeias, revelando 14 novos loci e confirmando outros 12 [22]. Além disso, três loci foram identificados em estudos validando os resultados do GWAS [2,13] e em associação com estudos de ligação e análise de genes candidatos, que confirmaram a participação do IRF6 (Fator Regulador de Interferon 6) [20,23] e o locus 9q22 que contém o gene FOXE1 (caixa de cabeçalho E1) [17,18]. Assim, 34 loci estão atualmente associados às FL/PNS, no entanto, diferenças na ancestralidade determinam a predisposição genética, onde regiões fortemente associadas a uma população podem não estar com outras.

Um exemplo disso é observado nos dois últimos GWAS que identificaram a região 17q23 em indivíduos de descendência européia [12] ou com as novas regiões identificadas na população chinesa (4q28.1, 5p12, 9q22.32, 12q21. 1 e 14q32 .13) e europeus (4p16.2, 8p11.23, 12q13.13, 12q13.2 e 17q21.32) [22]. Assim, como a população brasileira, por exemplo, é altamente miscigenada, baseada principalmente na ascendência européia, africana e ameríndia, outras regiões/genes podem estar associados à etiologia das FL/PNS e, portanto, estudos de validação precisam ser realizados em mais populações.

Sobre o autor: Renato Assis Machado é graduado em Odontologia, possui mestrado e doutorado em Estomatopatologia (FOP/Unicamp). Atualmente atua como pesquisador de Pós-Doutorado no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP e como colaborador no Departamento de Diagnóstico Oral (FOP/UNICAMP).

Baixe as referências do texto: https://f.hubspotusercontent20.net/hubfs/5410975/Refere%CC%82ncias.pdf

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