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Estratégias computacionais na descoberta de inibidores de protease viral para potencial tratamento da COVID-19

O coronavírus, agente etiológico da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2), foi também identificado como a causa da COVID-19 (Coronavirus Disease 2019), e, portanto, é o grande responsável pelo surto de pneumonia viral iniciado em Wuhan, na China, entre 2019 e 2020.

Atualmente, terapias direcionadas e eficazes ainda são questionadas e pouco satisfatórias clinicamente, apesar de associações entre determinados fármacos apresentarem um relativo sucesso. Desse modo, a pesquisa de novos compostos que promovam tratamentos eficazes permanece um campo muito vasto.

Metodologia SBVS

Nesse contexto, a metodologia de SBVS (Structure Based Virtual Screening) é uma abordagem computacional usada no processo de descoberta de novos compostos bioativos a partir de uma biblioteca comercial ou in house. Para isso, é de suma importância a escolha do alvo, pois ele tem que estar envolvido em processos fundamentais para a sobrevivência do vírus da COVID-19.

Frente a esse panorama, a busca de um inibidor desse alvo, por meio da metodologia de desenho de fármacos assistidos através do computador (CADD – Computer Aided-drug Design) visa otimizar esse processo. Dessa forma, o presente estudo será realizado nas instalações da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), no laboratório coordenado pelo Prof. Dr. Mario H. Hirata. Assim, se aplicará um processo de triagem virtual para a busca de compostos frente ao alvo: uma protease essencial para replicação do SARS-CoV-2. Utilizando bancos de dados de compostos bioativos, incluindo medicamentos aprovados pela FDA (Food and Drug Administration) e um banco da FCF-USP de moléculas previamente planejadas para proteases, os compostos promissores serão escolhidos a partir de alguns critérios. Eles são:

  • Acessibilidade econômica;
  • Efeitos adversos tolerados pelo paciente;
  • Utilização por pessoas com diversos perfis genéticos;
  • A viabilidade de administração por via oral (drágea, comprimido ou cápsula).

Portanto, esse estudo pode levar à descoberta rápida de novos fármacos com potencial terapêutico em resposta à Covid-19; para a qual ainda não estão disponíveis medicamentos ou vacinas.

Sobre o autor:

Glaucio Monteiro Ferreira é pesquisador de pós-doutorado do IDCP (Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia) e Ph.D. em Química Medicinal (2018) da FCF-USP. Possui experiência em planejamento racional de medicamentos utilizando técnicas computacionais e cinética enzimática.

Referências:

https://www.nature.com/articles/s41586-020-2223-y

  • Sylvio Camargo De Oliveira Filho

    09 junho 2020

    A transmissão do conhecimento nos ajuda. Obrigado!

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