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Decisão diagnóstica através de teste molecular

Gabriela Colichio

O diagnóstico histopatológico vem sendo utilizado como padrão para o diagnóstico de muitas doenças, incluindo câncer. Porém, em certas circunstâncias esse tipo de diagnóstico não pode ser utilizado e, nos últimos anos, os avanços técnicos nos testes moleculares revelaram variantes genéticas em muitos casos de tumores, determinando um diagnóstico final, levando a adoção desta técnica na prática clínica. 

O Sequenciamento de Nova Geração (NGS) é uma técnica importante para o detalhamento genômico de cânceres. Essa tecnologia, por meio do sequenciamento completo do genoma ou sequenciamento do exoma total, gerou um aumento na compreensão das variações genômicas em cânceres, incluindo mutações pontuais, inserções ou deleções.

Portanto, para mostrar a importância do teste molecular em diagnósticos, a Cap Today junto a Association for Molecular Pathology, trouxeram uma publicação este ano de exemplos de casos clínicos em que os testes moleculares foram relevantes e decisivos. 

Uma mulher de 52 anos com um histórico médico de tumor intrauterino. Uma nova tomografia mostrou uma nova massa pélvica e a ressonância magnética confirmou, com preocupação de invasão da bexiga. A paciente foi submetida a biópsia e no exame histológico, o tumor pélvico invadiu algumas áreas e apresentou nódulos no tecido adiposo. Posteriormente foi realizada imuno-histoquímica e apresentou resultados positivos para alguns tipos de cânceres, mas o resultado continuou inconclusivo. Depois de realizar alguns exames, o NGS foi realizado e 40% do tumor revelou duas variantes patogênicas que apoiaram o diagnóstico final de Leiomiossarcoma.

A segunda paciente é uma mulher de 72 anos com histórico de encurtamento de respiração por alguns meses, tosse matinal e dificuldade de engolir, foi encontrado um nódulo tireoidiano que comprimia a traqueia. Com a aspiração da tireoide foi indicado carcinoma de tireoide papilar, com biopsia inconclusiva. O tumor mostrou grandes áreas de necrose e a imuno-histoquímica foi realizada indicando carcinoma anaplásico da tiroide. Foi realizado NGS para confirmação definitiva e a paciente foi submetida a radioterapia e quimioterapia. O sequenciamento realizado mostrou cerca de 10% do tumor identificado com uma variante patogênica, e com base nessa variante, o diagnóstico decisivo de carcinoma anaplásico da tiroide foi realizado.

O NGS pode trazer informações importantes sobre vários genes, exigindo apenas uma pequena quantidade de DNA. A pesquisa genômica em grande escala e a inovação tecnológica NGS revelaram muitos detalhes de mutações somáticas e germinativas em tumores, permitindo a classificação de subcategorias de tipos de tumores com base nas alterações genéticas. Esse teste é muito importante para investigar mecanismos genômicos, incluindo vias de sinalização relacionadas a terapias. Com essas novas informações, novos medicamentos e terapias direcionadas estão sendo administradas aos pacientes.

Esses dois estudos de casos clínicos fazem parte de vários casos que demonstraram que o teste NGS pode auxiliar no diagnóstico definitivo de tumores quando os exames morfológicos e imuno-histoquímicas por si só não são suficientes.

Portanto, a citopatologia molecular pode refinar os diagnósticos em casos com alto nível de incerteza diagnóstica, auxiliando no tratamento e resultando na melhora da qualidade de vida do paciente.

Referências bibliográficas:

[1] Garakani, Kiavash et al. AMP case report: NGS as the tiebreaker in tumors with similar morphology and equivocal immunophenotype. Cap Today, p. 1-4, 2020. 

[2] GARZIERA, Marica et al. New challenges in tumor mutation heterogeneity in advanced ovarian cancer by a targeted next-generation sequencing (NGS) approach. Cells, v. 8, n. 6, p. 584, 2019.

[3] SURREY, Lea F. et al. Clinical utility of custom-designed NGS panel testing in pediatric tumors. Genome medicine, v. 11, n. 1, p. 1-14, 2019.

[4] WAKAI, Toshifumi et al. Next-generation sequencing-based clinical sequencing: toward precision medicine in solid tumors. International journal of clinical oncology, v. 24, n. 2, p. 115-122, 2019.

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